Os aportes de investidores estrangeiros no mercado secundário da Bolsa de Valores do Brasil (B3) registraram forte aceleração em janeiro e se consolidaram como um dos principais vetores do recente rali do mercado acionário. Entre os dias 19 e 23, o volume de recursos externos direcionados às ações negociadas no país alcançou R$ 10,4 bilhões, segundo dados divulgados pela própria B3, em um movimento que coincidiu com sucessivas máximas históricas do Ibovespa.
Durante esse período, o principal índice da Bolsa brasileira acumulou uma valorização expressiva, avançando mais de 14 mil pontos e renovando recordes em sequência. O desempenho refletiu um ambiente de forte apetite por risco, com investidores internacionais ampliando exposição ao mercado brasileiro diante de expectativas favoráveis para ativos de economias emergentes e de uma leitura positiva sobre o cenário doméstico.
O fluxo mais intenso foi observado na sexta-feira, quando os aportes estrangeiros somaram R$ 2 bilhões em um único pregão. Naquele dia, o Ibovespa avançou 1,86%, reforçando a percepção de que o capital externo teve papel decisivo na sustentação das altas. O montante aplicado ao longo da semana já representa quase 59% de todo o fluxo estrangeiro registrado no mês, indicando uma concentração significativa das entradas em poucos dias.
Após interromper temporariamente a sequência de ganhos na segunda-feira, o mercado voltou a mostrar força no pregão seguinte. Na terça-feira, o Ibovespa retomou o movimento de alta e, no início da tarde, já se aproximava da marca inédita de 183 mil pontos, sinalizando que o interesse dos investidores permanecia elevado mesmo após a realização pontual de lucros.
Analistas de mercado observam que o comportamento do investidor estrangeiro costuma funcionar como termômetro para a Bolsa brasileira, especialmente em momentos de maior liquidez global. Entradas volumosas tendem a ampliar o giro financeiro, favorecer ações de maior capitalização e estimular o ingresso de outros perfis de investidores, criando um efeito em cadeia sobre os preços.
O desempenho recente reforça a importância do capital externo para a dinâmica do mercado acionário local. Em um contexto de busca por diversificação e retorno, o Brasil voltou a figurar no radar de grandes fundos internacionais, atraídos tanto pelo potencial de valorização das empresas listadas quanto pelo ambiente de preços que ainda pode ser considerado competitivo em comparação a outros mercados.
Com o Ibovespa em patamares recordes e o fluxo estrangeiro concentrando boa parte de suas entradas em janeiro, o mercado agora observa se o movimento terá fôlego para se manter nas próximas semanas ou se dará lugar a uma fase de acomodação. Ainda assim, os números recentes já colocam o mês como um dos mais relevantes para a participação internacional na Bolsa brasileira.