O Serviço Geológico do Brasil (SGB) acaba de disponibilizar um instrumento que promete transformar a compreensão sobre a riqueza natural do Centro-Oeste. Trata-se do Mapa Geológico da Região, acompanhado de um encarte técnico detalhado que descreve os principais compartimentos geológicos e oferece uma classificação das formações de acordo com eras e períodos geológicos. O material permite uma leitura da história da Terra ao longo de bilhões de anos a partir das rochas e estruturas presentes no território.
A região é caracterizada pela predominância de grandes bacias sedimentares. Entre elas, destaca-se a Bacia do Paraná, formada por sedimentos paleozoicos, mesozoicos e recoberta por extensas camadas de basaltos. Outras bacias importantes são as do Parecis, Bananal e Pantanal, compostas por sedimentos recentes do período Quaternário. Essas formações não apenas modelam a paisagem atual, como também são fundamentais para a existência de aquíferos e para a dinâmica geomorfológica local.
Sob essas bacias repousam estruturas ainda mais antigas: os escudos cristalinos do Pré-Cambriano. Entre eles, a Província Tocantins e o Cráton Amazônico se destacam, compostos por rochas como granitos, gnaisses e migmatitos, datados de bilhões de anos. Essa base rochosa milenar abriga parte dos recursos minerais que conferem ao Centro-Oeste posição estratégica no cenário nacional.
De acordo com os estudos, a região concentra importantes reservas de ouro e manganês, além de ferro, níquel e diamantes em setores específicos do escudo cristalino. A exploração de calcário e fosfato nos sedimentos da Bacia do Paraná também ganha relevância, principalmente para a produção de cimento e fertilizantes, insumos diretamente ligados ao agronegócio, que é motor da economia regional.
Outro destaque é a presença parcial do Aquífero Guarani. Embora sua maior extensão esteja no Sudeste, o sistema aquífero se projeta sobre o Centro-Oeste, configurando-se como recurso estratégico para o abastecimento de água subterrânea e para o planejamento hídrico de longo prazo.
O lançamento do mapa geológico em escala 1:2.500.000, nos formatos digitais PDF e JPEG e estruturado em Sistema de Informações Geográficas (SIG), representa mais do que um produto cartográfico. Trata-se de uma ferramenta essencial para orientar políticas públicas, atrair investimentos, fomentar a pesquisa mineral e apoiar a gestão ambiental.
Integrada ao Programa Mineração Segura e Sustentável, a iniciativa do SGB reforça a importância do conhecimento geocientífico como base para o desenvolvimento equilibrado. Ao combinar informação técnica acessível com rigor científico, o mapa oferece subsídios valiosos para que governos, empresas e a sociedade civil façam escolhas mais conscientes sobre o uso do território e de seus recursos.
Em um cenário de crescente demanda por minerais estratégicos e por soluções sustentáveis de gestão hídrica, o Centro-Oeste surge não apenas como celeiro agrícola, mas também como guardião de riquezas geológicas capazes de impulsionar o futuro energético, industrial e ambiental do Brasil.