O mercado de trabalho temporário consolidou-se como uma das principais portas de entrada para o emprego formal no Brasil, encerrando 2025 com resultados expressivos. Ao longo do ano, mais de 2,5 milhões de contratos temporários foram firmados em todo o país, número que representa um crescimento aproximado de 4,5% em relação ao ano anterior. O desempenho confirma a relevância desse modelo de contratação em um cenário marcado por oscilações económicas e mudanças nas dinâmicas produtivas.
Além do volume de admissões, um dado chama atenção: cerca de 500 mil trabalhadores temporários foram efetivados. O número reforça a percepção de que esse tipo de vínculo deixou de ser apenas uma solução pontual para períodos de alta demanda e passou a funcionar como etapa estratégica de recrutamento e seleção para as empresas. Para muitos profissionais, a experiência temporária tornou-se um caminho concreto para a estabilidade no emprego.
O crescimento do setor foi impulsionado principalmente pela expansão da logística associada ao comércio eletrónico, que manteve ritmo acelerado ao longo do ano. O aumento das compras online exigiu maior capacidade operacional em centros de distribuição, transporte e armazenagem, elevando a procura por mão de obra temporária para atender picos de demanda. Grandes redes de varejo também tiveram papel decisivo nesse movimento, ampliando contratações para sustentar campanhas promocionais e períodos de consumo intensificado.
Outros segmentos relevantes contribuíram para o bom desempenho do trabalho temporário, como a agroindústria e o turismo. No campo, a necessidade de mão de obra em ciclos produtivos específicos manteve elevada a procura por contratos de curta duração. Já no setor turístico, a retomada de atividades e o aumento do fluxo de visitantes favoreceram contratações sazonais em hotéis, restaurantes, serviços e eventos, especialmente em regiões com forte vocação para o lazer e o entretenimento.
De acordo com representantes do setor, o trabalho temporário tem sido cada vez mais utilizado como instrumento de gestão empresarial, permitindo que as companhias se adaptem rapidamente a variações económicas, sazonalidade e mudanças no comportamento do consumidor. Ao mesmo tempo, oferece aos trabalhadores a oportunidade de ingressar no mercado formal, adquirir experiência e ampliar as chances de efetivação.
O último trimestre do ano concentrou um volume significativo de admissões, refletindo o aquecimento do consumo e o aumento das atividades logísticas e comerciais. Tradicionalmente marcado por datas que estimulam as vendas, esse período reforçou o papel do trabalho temporário como suporte essencial para o funcionamento das cadeias produtivas, evitando gargalos operacionais e garantindo agilidade às empresas.
Especialistas avaliam que a tendência é de continuidade desse modelo nos próximos anos, especialmente em setores que lidam com forte variabilidade de demanda. A combinação entre flexibilidade para as empresas e oportunidade de inserção profissional para os trabalhadores tem consolidado o trabalho temporário como um elemento estrutural do mercado de trabalho brasileiro, indo além da lógica emergencial e assumindo papel estratégico na geração de empregos e na dinamização da economia.