O número de empresas que recorreram à recuperação judicial no Brasil registrou crescimento significativo em 2025, atingindo o maior patamar desde o início da série histórica, em 2012. Os dados revelam um cenário de pressão financeira sobre o setor produtivo, impulsionado por condições de crédito mais restritivas e custos elevados.

Ao longo do ano, foram contabilizados 2.466 pedidos de recuperação judicial, representando uma alta de 12,9% em relação a 2024. Na comparação geral, o avanço foi de 5,5% frente ao período anterior, consolidando uma tendência de aumento nas solicitações desse tipo de proteção legal por parte das empresas.

As informações foram divulgadas pela Serasa Experian, que acompanha o comportamento financeiro das organizações no país. O levantamento aponta que, mesmo com oscilações ao longo dos meses, o volume anual superou os padrões históricos, indicando um movimento consistente de reestruturação financeira.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a recuperação judicial tem sido utilizada como uma ferramenta estratégica em um ambiente econômico mais desafiador. De acordo com a especialista, o cenário atual é marcado por um crédito mais seletivo, o que dificulta o acesso a financiamento e pressiona o fluxo de caixa das empresas.

A economista destaca ainda que o aumento dos pedidos está relacionado à necessidade de renegociação de dívidas em um contexto de custos financeiros elevados e demanda desigual entre setores da economia. Esse desequilíbrio tem impactado diretamente a capacidade de recuperação de empresas em diferentes segmentos.

Na análise mensal, os dados de 2025 também chamam atenção. O volume de pedidos ficou acima da média histórica de 53 processos por mês, evidenciando uma intensificação do uso desse mecanismo ao longo do ano.

Especialistas avaliam que o crescimento das recuperações judiciais reflete não apenas dificuldades momentâneas, mas também uma adaptação das empresas a um novo cenário econômico, mais exigente e competitivo. O recurso, nesse contexto, passa a ser visto como uma alternativa para reorganização financeira e preservação das atividades.

Diante desse panorama, o aumento das recuperações judiciais sinaliza um momento de ajuste no ambiente empresarial brasileiro, em que a busca por equilíbrio financeiro se torna prioridade para garantir a continuidade dos negócios.

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