A Andrade Gutierrez, uma das maiores empreiteiras do Brasil e um dos principais alvos da Operação Lava Jato, protocolou um novo pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. O documento foi apresentado na última terça-feira (19) e representa a segunda tentativa de reorganização financeira do grupo em menos de quatro anos.
As dívidas da companhia estão avaliadas em aproximadamente R$ 3,4 bilhões. Segundo a empresa, mais de 70% dos credores já aderiram ao plano de reestruturação, percentual mínimo exigido pela legislação brasileira para que o acordo possa ser homologado pela Justiça.
No pedido apresentado ao Judiciário, a Andrade Gutierrez informou ter acumulado prejuízos superiores a R$ 2 bilhões desde 2022, ano em que foi firmado o primeiro acordo de recuperação extrajudicial. A empresa afirmou que as medidas adotadas anteriormente tiveram resultados positivos inicialmente, mas novas dificuldades econômicas e operacionais acabaram comprometendo novamente sua capacidade financeira.
Entre os principais fatores apontados pela construtora está a paralisação de obras e o adiamento de projetos considerados estratégicos para o grupo. De acordo com a própria empresa, cerca de 47% da carteira de contratos estava paralisada ou postergada até dezembro de 2024, situação que afetou diretamente o fluxo de caixa e a geração de receitas.
Outro ponto destacado pela companhia foi a valorização do dólar frente ao real. Como parte das dívidas está vinculada à moeda estrangeira, a alta cambial aumentou significativamente os custos financeiros da empresa. Além disso, o aumento da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, também foi citado como um dos fatores que agravaram a situação financeira do conglomerado.
A Andrade Gutierrez ganhou notoriedade nacional durante a Operação Lava Jato, investigação iniciada em 2014 que revelou esquemas de corrupção envolvendo grandes empreiteiras, agentes públicos e contratos bilionários com empresas estatais. Desde então, o grupo vem enfrentando desafios para reconstruir sua imagem no mercado e retomar a estabilidade financeira.
Nos últimos anos, a empresa buscou reduzir despesas, renegociar contratos e reorganizar operações em diferentes setores de infraestrutura e engenharia pesada. Apesar dessas medidas, o cenário econômico adverso e a desaceleração de grandes obras públicas e privadas continuaram pressionando as contas da companhia.
Agora, caberá à Justiça analisar o novo plano apresentado pela empreiteira e decidir sobre a homologação do acordo firmado com os credores. O caso reacende o debate sobre as dificuldades enfrentadas por grandes grupos do setor de construção civil no Brasil, especialmente diante do alto custo do crédito, da instabilidade econômica e da redução de investimentos em infraestrutura.
